Distúrbios de coagulação: o que são, e como podem acontecer?

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A coagulação é considerada uma parte essencial da hemostasia, conjunto de atividades biológicas necessárias para a interrupção de sangramentos no organismo. Os distúrbios da coagulação são alterações nesse processo biológico, que é fundamental para a nossa saúde e segurança de vida, podendo torná-lo deficiente ou excessivo.

As alterações na coagulação ocorrem quando o organismo perde a capacidade de produzir quantidades suficientes de proteínas necessárias para ajudar o sangue a coagular e interromper a hemorragia. Essas proteínas são identificadas como fatores de coagulação, sintetizadas quase sempre no fígado.

Neste artigo, vamos explicar sobre os distúrbios que podem ocorrer no processo de coagulação sanguínea, quais são as suas causas e como é possível identificar quando há algum problema. Continue a leitura para saber mais!

Quais distúrbios de coagulação podem ocorrer?

Quando o processo de coagulação tem anormalidades podem ocorrer complicações. Nos casos de coagulação deficiente, ferimentos provocam grande perda de sangue (hemorragia), causando problemas de saúde que podem ser graves.

Já a formação excessiva de coágulos (trombose) compromete o fluxo sanguíneo e o interrompe, encapsulando-o em pequenos vasos do organismo. No cérebro, essa interrupção causa o Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. Se ocorre em vasos que levam sangue para o coração, provocam o infarto do miocárdio.

Além disso, pequenos coágulos podem se formar no abdômen, pernas ou pelve, e viajar por todo o corpo, alcançar os pulmões, bloquear artérias e causar embolia pulmonar.

Algumas pessoas podem ter um desequilíbrio que leva a um maior risco de trombose, a trombofilia. Pode ser de natureza familiar (hereditária), ou adquirida durante a vida.

Quais são as causas das alterações na coagulação?

Os distúrbios de coagulação podem ser hereditários (como a hemofilia, o mais conhecido) ou provocados por alguma alteração na saúde, como:

  • coagulação intravascular disseminada;
  • deficiência de vitamina K;
  • desenvolvimento de anticoagulantes circulatórios – anticorpos que reduzem a atividade de um fator específico de coagulação;
  • doença hepática grave – hepatite, cirrose, esteatose hepática aguda da gravidez ou insuficiência aguda das funções do fígado.

A ação do novo coronavírus – SARS-CoV-2 – também pode provocar distúrbios na coagulação. Em 2020, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP- Ribeirão Preto) identificaram uma formação de coágulos em vasos que se localizam debaixo da língua, em pacientes diagnosticados com Covid-19.

Esse achado científico fortaleceu uma teoria sobre os distúrbios de coagulação sanguínea serem resultados de uma grande resposta inflamatória ao SARS-CoV-2, que podem levar à insuficiência respiratória e fibrose pulmonar.

Tal hipótese foi intensificada quando pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, durante autópsias em pessoas que faleceram em decorrência do novo coronavírus, acharam microtrombos nos vasos mais finos que levam o sangue aos pulmões.

Como é possível identificar problemas de coagulação?

A investigação inicial dos distúrbios da coagulação sanguínea deve passar, necessariamente, por um estudo laboratorial da hemostasia. Isso porque, para pesquisar essas patologias, além da história clínica do paciente e exames físicos, é possível lançar mão de diferentes testes laboratoriais para auxiliar no raciocínio clínico/diagnóstico.

A hemostasia inclui atividades complexas que ocorrem em cadeia e se relacionam aos fatores de coagulação, como enzimas, proteínas e demais elementos envolvidos nesse processo. Ela se manifesta em três fases: vasoconstrição, ação das plaquetas e coagulação.

Diversos exames de sangue podem ser solicitados pelo médico para avaliar o processo de coagulação, identificar eventuais alterações e indicar o tratamento correto para evitar complicações. Os principais exames são:

  • Tempo de Sangramento (TS) – detecta alterações relacionadas às plaquetas;
  • Tempo de Protrombina (TAP ou TP) – utilizado para se avaliar a integridade da coagulação, principalmente no que se refere ao Fator VII, um dos que se alteram em doenças hepáticas;
  • Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado (TTPA,, PTT ou PTTK) – avalia a hemostasia e identifica alterações em diversos outros fatores de coagulação, inclusive na hemofilia;
  • Tempo de Trombina (TT) – avalia o tempo necessário para a formação do coágulo após a adição de trombina, sendo útil para avaliar o fibrinogênio, a proteína situada ao fim da sequência de reações que levam à coagulação do sangue;
  • Número de plaquetas – indica eventuais alterações no processo de hemostasia primária, permitindo ao médico recomendar um tratamento mais específico.

Nem todos esses exames citados precisam ser feitos em todos os casos de distúrbios da coagulação: conforme a avaliação do médico, alguns são realizados, e até outros que não estão nessa lista podem ser indicados.

Como vimos, os distúrbios de coagulação podem ser hereditários, provocados por algumas doenças ou deficiência da vitamina K no organismo. Nesse sentido, é fundamental fazer consultas médicas e exames periódicos em laboratórios idôneos, como o PAT Análises Clínicas, referência em exames laboratoriais, que conta com uma equipe altamente especializada e rígido controle de qualidade.

As informações deste artigo foram úteis? Para obter mais informações sobre exames de coagulação e outros, entre em contato conosco!

 

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