Quais as principais doenças diarreicas e como tratá-las?

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Quando o assunto é diarreia, pensa-se geralmente em um quadro agudo, ou seja, que vai desaparecer em alguns dias. Porém, em algumas situações, isso pode perdurar ao longo de semanas, como nos casos de doenças diarreicas crônicas.

Conceitualmente, a diarreia representa a perda de consistência nas fezes associado a uma maior frequência de evacuações. Quando ela se cronifica, isso quer dizer que se mantém por um período igual ou maior do que quatro semanas.

A intensa perda de líquidos aumenta o risco de desidratação. Além disso, pode ter consequências no quadro nutricional dos indivíduos. Conheça abaixo algumas doenças que podem provocar o quadro!

Doença inflamatória intestinal (DII)

As doenças inflamatórias intestinais são representadas, basicamente, pela doença de Crohn e colite ulcerativa. No caso da segunda, o comprometimento é do intestino grosso, enquanto na primeira pode se estender pelo tubo digestivo.

De forma geral, trata-se da inflamação da parede dos órgãos mencionados. Isso vai acarretar em uma maior dificuldade de absorver os nutrientes durante a digestão. Além da diarreia, o indivíduo pode se queixar de dor abdominal.

A causa do problema é uma reação autoimune, ou seja, o corpo começa a reagir contra ele mesmo. Outra característica importante é que o quadro costuma se desenvolver em pessoas jovens, em torno dos 30 anos de idade.

O diagnóstico pode ser feito por meio de avaliação clínica, exames endoscópicos (colonoscopia e endoscopia digestiva alta com biópsias), exames de imagens e análises laboratoriais. No caso, é feita uma pesquisa de biomarcadores fecais que sugerem ser DII. O tratamento, por sua vez, é feito, basicamente, com corticoides e imunomoduladores.

Síndrome do intestino irritável

Outra doença, a síndrome do intestino irritável, também provoca diarreia e desconforto abdominal. Suas causas são, porém, pouco conhecidas, bem como os mecanismos envolvidos no desenvolvimento dela.

Vale ressaltar que ela aumenta a sensibilidade do trato digestivo, ou seja, o paciente pode relatar dores. Associado a isso, não é incomum observar algumas condições psicológicas, como ansiedade e depressão.

Assim como vimos acima, a doença tende a se manifestar em pessoas jovens, com cerca de 20 anos. Aqui o diagnóstico é essencialmente clínico, de modo que os exames complementares apenas ajudam a excluir outras causas

Por fim, o tratamento é feito com uso de medicamentos sintomáticos. É importante, ainda, que a pessoa identifique quais alimentos fazem mal e os retire da dieta.

Doença celíaca

A doença celíaca, por sua vez, indica que a pessoa tem sensibilidade à proteína gliadina do glúten. Ela se manifesta quando há alimentação com trigo, cevada ou centeio. Portanto, vale adiantar que o tratamento consiste em evitar alimentos que contêm esta proteína.

Aqui, os sintomas são mais variados. Na diarreia, por exemplo, é comum encontrar gotículas de gordura que não sofreram digestão. Pode haver, ainda, discreto quadro de anemia, além de fraqueza e cansaço.

Os exames laboratoriais podem ir em busca de marcadores sorológicos, ou seja, autoanticorpos. Complementando, a biópsia de intestino delgado pode sugerir atrofia das suas vilosidades da mucosa. Com isso, a absorção de nutrientes fica prejudicada e, por vezes, requer suplementação.

Concluímos, enfim, que nem sempre as doenças diarreicas são causadas por parasitas. Ao contrário, elas podem indicar a vigência de uma doença autoimune (provocada pelo próprio organismo), e podem também se relacionar a diabetes, hipertireoidismo, uso de alguns medicamentos e outras causas. Por isso, é importante uma avaliação médica para estabelecer o diagnóstico precoce e a adoção do tratamento, seja com medicamentos, seja com mudança de hábitos. É isso que vai proporcionar uma melhor qualidade de vida para os pacientes.

Agora, que tal entender para quais situações o exame de fezes está indicado?

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