Exame “ferritina”: saiba o que indica

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O ferro (sim, o metal) é um composto essencial para a vida. Ele é adquirido, principalmente, por meio dos alimentos, mas por vezes é necessária a suplementação. Uma das maneiras de avaliar como estão os níveis de ferro no organismo é por meio do exame de sangue para quanto há de ferritina.

A importância de acompanhar os níveis está associada ao papel que o ferro cumpre em nosso corpo. Ele é um dos componentes das hemácias, que atuam no transporte de oxigênio. Além disso, também faz parte da mioglobina, que faz parte das células musculares, inclusive do coração. Também faz parte de enzimas chamadas citocromos.

Por estar presente em diferentes reações e formar uma gama variada de proteínas, é muito importante que nosso organismo não sofra com a carência deste elemento. Veja, então, como a ferritina pode representar um sinal de alerta!

Entenda o metabolismo do ferro

Vimos acima que o ferro faz parte da composição de várias substâncias. Grande parte do ferro está associado à hemoglobina, que se encontra no interior das hemácias (glóbulos vermelhos do sangue); ela é responsável pelo transporte do oxigênio e do gás carbônico no organismo. Sem dúvidas, a hemoglobina representa um dos principais depósitos de ferro, mas não é o único, como veremos mais adiante.

Nem todo o ferro ingerido é absorvido. Nosso organismo consegue regular a absorção de acordo com a quantidade presente nos depósitos. Então, o raciocínio é simples:

  • se as reservas estão altas, não há absorção intensa;
  • se as reservas estão baixas, há mobilização para maior absorção.

Os esforços do corpo humano para suprir a necessidade se concentram principalmente no intestino, local onde ocorre a absorção de nutrientes. As células intestinais têm uma superfície intensamente aumentada pelas chamadas “microvilosidades”, para facilitar a absorção.

Após ser absorvido pelas células intestinais, o ferro – ligado à proteína de transporte chamada transferrina – pode seguir dois caminhos:

  • ser destinado à formação imediata de hemoglobina;
  • ser destinado aos depósitos para ser utilizado em outro momento.

Quando destinado aos depósitos – no fígado, no baço e na medula óssea, principalmente – o ferro se mantém sob as formas de ferritina e de hemossiderina.

Descubra as principais proteínas envolvidas

Transferrina? Ferritina? Afinal, o que esses nomes representam? Como o ferro é insolúvel e tóxico, ele não deve circular livremente pelo corpo; há, portanto, uma série de proteínas associadas ao metabolismo e transporte desse metal.

Antes de saber quais são elas, considere a seguinte terminologia para o estado do ferro:

  • ferro funcionante — aquele que compõe a hemoglobina e outras proteínas.
  • ferro circulante — aquele ligado à transferrina, e que é transportado pelo organismo.
  • ferro estocado — encontrado na ferritina e hemossiderina (sendo que um pouquinho de ferritina circula no sangue, e em geral reflete os estoques).

De fato, a hemoglobina, localizada no interior das hemácias, é a principal forma funcional do ferro e associada ao transporte de oxigênio. Já a mioglobina (que se situa no interior das células musculares) também é relacionada com a captação do oxigênio, mas neste caso é o que é liberado pelos músculos durante exercícios.

A ferritina é uma das proteínas associada ao depósito do ferro — e a mais importante para avaliar o paciente em suspeita de anemia. Ela se localiza no citoplasma das células e é liberada no sangue de acordo com a demanda. Já a hemossiderina é a forma em que o ferro se encontra nos tecidos, podendo até ser vista com a ajuda do microscópio, e que se eleva em casos de sobrecarga de ferro.

O ferro estocado e aquele liberado na destruição das hemácias são reutilizados para sintetizar novamente a hemoglobina. Vale ressaltar que apenas uma pequena fração do ferro ingerido será absorvida, pois embora seja possível estocá-lo, não é possível excretá-lo (o organismo controla a absorção para que esta não ocorra em demasia).

Saiba o significado do exame para avaliar a ferritina

O exame para saber o nível de ferritina no sangue é utilizado quando deseja avaliar as reservas de ferro. Dessa forma, níveis baixos de ferritina podem indicar um esgotamento de reservas e, consequentemente, direcionar aquele paciente para o tratamento adequado de suplementação.

É importante destacar que existem outros exames para avaliação do perfil de ferro, sendo a hemoglobina um dos principais. Porém, os níveis sanguíneos de ferritina indicam a deficiência do ferro mesmo antes de surgir a anemia (que é a etapa posterior, em que a hemoglobina se mostra baixa).

O material coletado para análise da ferritina é o sangue. É feita uma dosagem de quantos nanogramas da proteína estão presentes em cada mililitro de sangue (ng/mL). É desejável que os níveis estejam superiores a 25 ng/mL, quando se considera que a pessoa tenha risco de deficiência de ferro, ainda que a carência propriamente dita se caracterize quando a ferritina se mostra inferior a 15 ng/mL.

Considerando 25 ng/ml como o valor inferior desejável, existe uma diferença ao avaliar o limite superior em adultos saudáveis de acordo com o sexo. No sexo masculino, pode chegar a 400 ng/ml. E nas mulheres costuma atingir até 120 ng/ml. Mas esses números não são fixos, podendo variar em função da dieta e de características genéticas individuais.

Eventualmente outros exames podem ser feitos para avaliar o estado do ferro de uma pessoa, quando a ferritina não é suficiente para esclarecimento. O principal é a saturação da transferrina, em que se avalia a quantidade de ferro circulante no sangue e o percentual de sua combinação com a proteína que o transporta. Outro, realizado mais raramente, é observar os depósitos de hemossiderina na medula óssea ou em outro tecido do corpo.

Veja a importância dos níveis de ferritina

Agora que você sabe por que a ferritina é o exame ideal para avaliar os depósitos de ferro, vamos entender o que pode representar valores abaixo e acima do nível desejado. Confira!

Abaixo do valor de referência

Ao longo da vida, existem momentos que as pessoas ficam mais vulneráveis à diminuição do ferro. Nem sempre quer dizer baixa ingestão: às vezes pode significar excesso de perda. Veja algumas situações:

  • aumento de demanda (como no crescimento, gravidez e amamentação);
  • redução na ingesta (como no vegetarianismo);
  • absorção insuficiente (como após cirurgia bariátrica);
  • perda crônica ( como em hemorragias internas, externas ou verminoses). 

Os baixos níveis de ferro acarretam em alguns sinais e sintomas, associados ao cansaço, desânimo, palidez, tonturas, falta de apetite, queda de cabelo, vontade de ingerir alimentos ou coisas estranhas. Enfim, tudo isso direciona o médico para levantar a hipótese de anemias.

Acima do valor de referência

Como dito, não existe uma mecanismo fisiológico para excretar o ferro, sendo que uma fração é perdida nas fezes e, no caso das mulheres, na menstruação. Portanto, avaliar a sobrecarga de ferro requer considerar algumas hipóteses que nem sempre estão associadas ao excesso de ferro.

Na verdade, o que mais causa elevação no nível de ferritina são inflamações, infecções ou mesmo tumores (além dos casos de transfusões de sangue repetidas). Como a ferritina é um reagente de fase aguda, durante processos inflamatórios e infecciosos ela pode se mostrar elevada (mesmo sem excesso real de ferro no corpo), como nos casos de:

  • obesidade;
  • esteatose (gordura no fígado);
  • excesso de álcool;
  • neoplasias;
  • doenças reumáticas;
  • destruição intensa de tecidos.

Além dessas causas de elevação da ferritina, há outra, de natureza hereditária: a hemocromatose, de causa genética, em que a pessoa absorve mais ferro pelo intestino que o necessário. Por vezes trata-se de um achado casual, sem importância, mas há situações em que o excesso de ferro do organismo deve ser removido com medidas instituídas pelo médico.

Concluímos, enfim, que o exame para verificar o nível de ferritina pode indicar uma série de condições clínicas, seja pelo excesso, seja pela deficiência. Além disso, como existem outras proteínas associadas ao metabolismo do ferro, é importante realizar uma avaliação mais abrangente, envolvendo outros exames que serão solicitados pelo médico de acordo com o quadro clínico. Por fim, além de consultar com um profissional de confiança — como o hematologista, especialista em anemias e sangue —, procure sempre por laboratórios confiáveis!

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