Ferritina: saiba mais sobre esse exame!

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A dosagem da ferritina é um importante meio para detectar certas alterações no organismo e doenças graves. Trata-se de uma proteína encontrada em grande quantidade no fígado, com importantes reservas na medula óssea e no baço. O exame de sangue para verificar o nível da ferritina detecta o excesso ou a deficiência de ferro no corpo.

A principal função da ferritina é armazenar o ferro. Embora seja estocada mais no fígado, ela também é encontrada em menores quantidades no coração e pâncreas, além de outros órgãos. Além disso, ela circula no sangue, o que em geral reflete a quantidade da reserva corporal.

Algumas alterações em seus níveis podem indicar disfunções e até mesmo doenças graves, sendo importante saber mais sobre essa proteína e incluir a sua verificação na rotina de exames. Acompanhe este artigo e entenda mais sobre as taxas de ferritina e suas alterações nos resultados de exames de sangue!

Qual a diferença entre ferritina e ferro?

O ferro é um importante mineral, essencial para o bom funcionamento das células e para a síntese de DNA, bem como para o metabolismo energético e diversas funções celulares. Na hemoglobina, o ferro participa do transporte do oxigênio para os músculos e demais células do organismo.

Já a ferritina, ela é uma proteína que contém o ferro. Assim, uma pequena quantidade de ferritina constatada no sangue é uma amostra que reflete a quantidade total de ferro no corpo.

O conhecimento do metabolismo do ferro, que envolve a absorção, circulação e armazenamento, é essencial para a verificação das causas e efeitos das anemias. Os parâmetros utilizados para avaliar esse metabolismo são obtidos com a transferrina, que é a proteína transportadora do ferro (principalmente a medida de seu grau de saturação com ferro), e a ferritina. Dessa forma, ambas complementam o exame hematológico e ajudam a identificar o melhor tratamento a ser adotado em cada caso.

Como é feita a interpretação do resultado da dosagem da ferritina?

A taxa de ferritina é verificada por amostra de sangue. Em geral, ela é feita com outras solicitações de exames laboratoriais correlatos, como hemograma, dosagem de ferro sérico e saturação da transferrina, que também é conhecida como “capacidade de ligação do ferro”.

Este último permite esclarecer os resultados da ferritina quando há necessidade de melhor entendimento frente a um quadro clínico e laboratorial.

O exame de ferritina indica os níveis dessa substância. Eles se apresentam baixos em pessoas com deficiência de ferro, e elevados quando há presença de hemocromatose hereditária (que leva ao excesso de ferro nos tecidos), e em outras formas de sobrecarga do metal que levam ao acúmulo de suas reservas, inclusive em casos de múltiplas transfusões de sangue.

A ferritina é também uma proteína de fase aguda, substância cujo nível se altera no sangue em decorrência de certos processos anormais, e pode aumentar na presença de distúrbios autoimunes, doença hepática, inflamação, infecção crônica, entre outras condições. Nesses casos ela não é usada para diagnóstico ou monitoração do paciente em relação ao ferro, por não refletir as reservas desse elemento.

Quando é considerado nível baixo de ferritina?

Os valores de referência para normalidade de ferritina podem variar conforme o método utilizado, mas considera-se atualmente ser 30 ng/mL o valor inferior desejável, sendo valores referenciais superiores 150 ng/mL para as mulheres e 450 ng/mL para os homens conforme estatísticas populacionais (adultos).

Na mulher é frequente ocorrer ferritina em níveis reduzidos durante a gravidez, devido à passagem de ferro pela placenta destinado a suprir o feto.

Embora o nível inferior da normalidade não possa ser definido com exatidão, já que ele pode variar entre os indivíduos, evidências da deficiência de ferro – como fragilidade de cabelos e unhas, perversão do apetite e episódios depressivos – costumam ser mais frequentes quando a ferritina se encontra em valores inferiores a 20 ng/mL.

Causas do nível baixo de ferritina

Em geral, uma taxa reduzida de ferritina reflete baixa reserva de ferro no organismo. As principais causas dessa alteração são:

  • alimentação pobre em ferro (a principal fonte alimentar de ferro é a carne vermelha);
  • múltiplas doações de sangue sem a reposição do ferro pela alimentação adequada;
  • verminoses, especialmente a ancilostomose (causada pelos ancilostomídeos);
  • sangramento gastrointestinal (úlceras, pólipos, divertículos, hemorroidas);
  • câncer colorretal;
  • sangramento menstrual intenso, e miomas uterinos

Quais são os sintomas de níveis baixos de ferritina?

Os baixos níveis de ferritina no organismo podem ser sinalizados por diversos sintomas, que incluem:

  • fraqueza;
  • cansaço crônico;
  • falta de apetite;
  • palidez;
  • dores de cabeça;
  • queda de cabelo;
  • fragilidade das unhas;
  • irritabilidade;
  • episódios depressivos;
  • memória ruim;
  • tonturas.

Níveis baixos de ferritina também têm sido associados à síndrome das pernas inquietas. Pode acontecer ainda de algumas pessoas sentirem desejo intenso, e muitas vezes irresistível, de mastigar coisas inabituais, como:

  • gelo;
  • terra;
  • arroz cru;
  • sal grosso;
  • chicletes;
  • gravetos.

Quando é considerado elevado o nível de ferritina no sangue?

A elevação da ferritina no sangue é menos comum que a redução. Ao contrário do que se pensa, ela não representa, obrigatoriamente, a elevação do ferro no organismo, ainda que em alguns casos possa, sim, ter esse significado.

Mais frequentemente a elevação do nível sanguíneo da ferritina se relaciona a um processo do organismo identificado como “reação de fase aguda”, comum na esteatose hepática (“gordura no fígado“), cirrose hepática, doença hepática por alcoolismo, doenças articulares (muitas das quais mais frequentes em idosos, como a artrite reumatoide), distúrbios de autoimunidade, diabetes e outras. A covid-19, doença causada pela infecção por um coronavírus, leva a aumento da ferritina no sangue sem que isso signifique excesso de ferro (sendo um exemplo de elevação por reação de fase aguda).

Casos de maior absorção de ferro

Em alguns casos, o que é mais raro, a elevação da ferritina indica que o organismo está absorvendo mais ferro dos alimentos que as demais pessoas. Essa condição – hemocromatose – pode ser hereditária, sendo mais comum em habitantes do norte da Europa e seus descendentes.

Nesse sentido, há uma relação interessante: como o ferro é um dos fatores que influenciam no crescimento, um dos genes que leva à maior absorção do metal é mais prevalente no norte europeu, o que acaba por levar à maior estatura de seus portadores, muitos dos quais desportistas cuja altura chama a atenção.

É importante observar que níveis elevados de ferritina são mais comuns em homens e nas mulheres que não menstruam, já que a perda sanguínea menstrual é uma forma de eliminar o ferro.

Quais são os sintomas de ferritina elevada?

A elevação da ferritina no sangue, por si, não causa sintoma algum, mas a sobrecarga de ferro, quando presente, pode levar a pessoa a passar por alguns deles. Em geral, os sintomas são dores nas articulações, falta de ar, cansaço e dor abdominal, principalmente.

Mas não é demais ressaltar o que já foi dito: a maior parte dos casos de ferritina elevada no sangue não envolve excesso de ferro, mas problemas relacionados a inflamações, distúrbios do fígado (inclusive causados por alcoolismo) e outras condições, e assim os sintomas podem se dever a essas doenças.

Tratamento para elevação de ferritina

O tratamento depende da causa e é preciso ter cautela na interpretação do exame. Nesse sentido, o mais importante é focar no tratamento da doença ou distúrbio que está causando o aumento da ferritina. Geralmente, o problema não ocorre por excesso de ferro. Se ela estiver elevada por esteatose hepática (gordura no fígado), o tratamento é o desta condição; se a elevação for devida a doença inflamatória articular, o tratamento é o desta doença.

Mas se houver hemocromatose (o verdadeiro excesso de ferro no organismo), o tratamento poderá ser feito com retiradas periódicas de sangue, para extrair parte do metal do organismo, sendo também possível o uso de medicamentos para eliminar o ferro, a critério do médico hematologista.

Como vimos, a determinação da ferritina no sangue é fundamental para medir os seus níveis séricos, indicando se há elevação ou redução. Dessa forma, é possível detectar algumas doenças de acordo com os resultados, sintomas e sinais clínicos manifestados durante a consulta. Nesse sentido, é muito importante incluí-lo nos exames de rotina e realizá-lo em um laboratório clínico de qualidade, como o Laboratório PAT, e confiar a interpretação dos resultados a um bom profissional.

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12 comentários em “Ferritina: saiba mais sobre esse exame!

  1. Gostaria de saber por hoje eu estou com FERITINA SÉRICA elevada etou c om 1.857,9 ng/ml. isso pode me causar problema?, o medico mandou qui eu fizesse SANGRIA – 500ml, é necessario fazer isso?

    Fico no aguardo de uma resposta

    Cordialmente

    Martins

    1. A elevação da ferritina nem sempre significa elevação do ferro no organismo, pois ela pode se mostrar em níveis elevados também por outros motivos (até mais frequentes), como a esteatose (“gordurinha no fígado”), inflamações (artrite, e outras condições), etc. Na consulta médica são pesquisadas as várias causas de elevação da ferritina, para ver que conduta estará indicada. Há exames que ajudam o médico a esclarecer a elevação da ferritina.

  2. Olá, o exame do meu filho a ferritina deu 376,9 ng/ mL, está normal ou elevada ?
    Meu filho tem 2 anos e 06 meses.
    Desde já agradeço.

    1. Boa noite. A ferritina é muito útil para indicar a reserva de ferro quando resulta reduzida; valores elevados não significam aumento do ferro, pois podem ocorrer quando há alterações na pessoa, como inflamações e infecções, e mesmo depois de cirurgias (ainda que pequenas). Nessa idade, é muito rara a elevação da ferritina por excesso de ferro. Esse valor está acima do habitual, e por isso deve ser interpretado pelo médico durante a consulta; que tal consultar o pediatra? Assim tudo poderá se esclarecer facilmente.

    1. Boa tarde, Sr. Fernando. Esperamos que o artigo tenha sido útil, ao apontar a existência de dois tipos de “ferritina alta”: a que ocorre por excesso de ferro, e a que se deve a outras condições, que acabam por se agruparem no grupo de “reação de fase aguda”. Talvez a consulta a um hematologista lhe seja útil para estabelecer um tratamento adequado com os recursos disponíveis na atualidade.

  3. Bom dia! Meu exame acusou 451,8ng/mL. Nos parâmetros, informa que até 300ng/mL estaria no aceitável. Qual a recomendação neste caso?
    Ah, colesterol LDL está em 184mg/dL.
    Atenciosamente

    1. Boa noite. A ferritina, quando em níveis acima dos habitualmente encontrados, com frequência indica a chamada “reação de fase aguda”, em que algumas proteínas do sangue (inclusive a ferritina) passa por uma elevação devido a alguma situação de inflamação. Muitas vezes é a conhecida “gordurinha no fígado” a causa, mas reumatismo e outras condições também podem explicar a elevação. Raramente (sim, raramente) pode ser excesso de ferro no organismo. Mas essas hipóteses só devem ser consideradas por um médico, que irá considerar sua idade, seus hábitos de vida, e também alguns exames que ele possa indicar. Não deixe de falar com ele.

    1. Boa noite. O nível informado está abaixo do esperado. Converse com seu médico, pois ele lhe fará algumas perguntas para melhor entendimento do quadro (inclusive sobre a alimentação, e possíveis perdas de sangue), e talvez solicite um hemograma e algum exame a mais, conforme suas respostas.

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