Conheça 7 principais exames de sangue que avaliam o fígado e saiba o que eles significam

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Para diagnosticar e prevenir o agravamento de doenças é importante fazer testes regularmente, como os exames de sangue que avaliam o fígado. Neles podem ser diagnosticadas doenças como cirrose, hepatite, e outras.

Esse órgão é fundamental para a digestão e metabolismo de alimentos e medicamentos. Por esse motivo, quando ocorre alguma disfunção a pessoa pode apresentar dificuldades para metabolizar corretamente as gorduras e outras substâncias, gerando diversos distúrbios no organismo.

Neste artigo vamos apresentar os principais exames de sangue que permitem avaliar o fígado, explicando o significado de cada um e as alterações nos resultados. Continue a leitura para saber mais!

Principais exames de sangue que avaliam o fígado

Em geral, para as pessoas assintomáticas e sem diagnóstico de doença no fígado, são solicitados apenas quatro tipos de exames de sangue para rastrear distúrbios hepáticos: TGO (ou AST), TGP (ou ALT), Gama GT e a fosfatase alcalina (por vezes não apenas 4, mas 5, quando também é solicitada a determinação da bilirrubina). São testes de rastreio que detectam muitas doenças ocultas no fígado ou nas vias biliares.

Já as pessoas diagnosticadas com problemas hepáticos necessitam realizar outros exames para complementar o raciocínio e embasar decisões médicas. Veja, a seguir, as características dos principais exames de sangue relacionados a esse órgão e o que cada um deles significa.

1. Transaminases

Os exames de TGO (transaminase glutâmico-oxalacética) e TGP (transaminase glutâmico-pirúvica) medem a atividade dessas enzimas do fígado e permitem suspeitar de doenças, como cirrose e hepatite. Mas há uma ressalva: enquanto a TGO é encontrada em praticamente todo o corpo, a TGP é mais relacionada ao fígado, ainda que uma pequena quantidade seja produzida nos rins, coração e músculos.

Há um detalhe que é bom dizer: a TGO também é conhecida como AST (aspartato-aminotransferase) e a TGP como ALT (alanina-aminotransferase). Por vezes essas designações são utilizadas nos laudos emitidos pelos laboratórios clínicos.

Nos casos em que ocorrem lesões comprometendo as células do fígado – chamadas hepatócitos – essas enzimas “vazam” para o sangue, aumentando a sua concentração sanguínea. Isso explica por que as doenças do fígado em que há lesão dos hepatócitos cursam com níveis sanguíneos elevados de TGO (AST) e TGP (ALT).

Exame e resultados

Para avaliar lesão hepática, a verificação do nível sanguíneo de TGO é em geral feita simultaneamente com o da TGP, e os resultados devem ser interpretados com base em ambas. Níveis elevados das duas transaminases no sangue podem indicar doenças e alterações, como:

  • alcoolismo;
  • câncer de fígado;
  • cirrose;
  • esteatose (gordura no fígado);
  • hepatite crônica;
  • hepatite viral aguda;
  • intoxicações (inclusive chás de ervas aparentemente inócuas);
  • isquemia hepática.

É importante observar que valores situados na faixa de referência para os exames TGP e TGO não significam, necessariamente, a ausência de doenças no fígado. Afinal, certas informações obtidas pelo médico durante a consulta podem direcionar para a investigação por meio de outros recursos.

Além disso, este exame pode ser utilizado para controle de danos hepáticos durante o uso de alguns medicamentos. Um exemplo clássico disso é a isotretinoína, medicamento muito utilizado para tratar acne. Ela é de alta metabolização hepática e requer, portanto, o bom funcionamento do órgão, não devendo ser utilizada em caso de estar o fígado em mau funcionamento.

2. Gama GT

gama GT (gama-glutamiltransferase) é uma enzima produzida no coração, pâncreas e outros órgãos, mas a maior parte é de produção hepática. A elevação de sua atividade no sangue se relaciona mais comumente ao fígado. É muito útil no rastreio dos efeitos do alcoolismo crônico.

Dessa forma, para ajudar no diagnóstico de problemas biliares e hepáticos, o médico, frequentemente, solicita a determinação da atividade sanguínea dessa enzima, bem como de TGO, TGP, fosfatase alcalina e nível de bilirrubinas.

Valores alterados

Quando os valores da gama GT estão altos, isso é um indicativo da presença de alterações no fígado, que podem ter sido provocadas por:

  • cirrose;
  • consumo excessivo de álcool ou drogas;
  • diminuição da circulação sanguínea para o fígado;
  • hepatite viral crônica;
  • tumor hepático.

Nesses casos pode ser necessário realizar outros exames complementares, como tomografia computadorizada, ultrassonografia, ressonância magnética e elastografia, além de outros testes laboratoriais. Embora sejam raros os casos, esses valores também podem ficar alterados por doenças não relacionadas com o fígado, como o diabetes, insuficiência cardíaca e pancreatite (e até a obesidade).

3. Fosfatase alcalina

fosfatase alcalina é uma enzima presente em diversos tecidos do corpo. Isso inclui rins, placenta, intestino, ossos e fígado. Nesses dois últimos, ela se encontra em maiores concentrações, tornando possível a detecção de doenças nesses órgãos.

No fígado, a enzima é encontrada nas células que formam a parede dos canais pelos quais a bile é escoada, a fim de chegar ao intestino, onde participa da digestão das gorduras. Por isso a elevação dessa enzima é útil como indicativo de retenção da bile (mas é preciso considerar que a elevação da fosfatase alcalina pode estar relacionada a outros problemas, já que ela também é produzida em outros órgãos).

4. Bilirrubinas

As bilirrubinas são resíduos que sobraram das hemácias antigas que são substituídas e daquelas que são produzidas com defeitos, reciclagem essa realizada principalmente pelo baço, um órgão também abdominal. Há duas formas de apresentação da bilirrubina: direta (conjugada com o ácido glicurônico) e indireta (não conjugada). Quando se diz “bilirrubina” (no singular) está-se referindo à soma de ambas, ou seja, a bilirrubina total.

Ela é transportada pelo sangue até o fígado para ser processada e eliminada na bile que, por sua vez, é lançada no intestino, participando do processo digestivo. Posteriormente, a bilirrubina (que é amarela) é mudada quimicamente em outra substância e eliminada nas fezes, causando a cor característica (marrom).

Resultados alterados

Toda vez que o nível de bilirrubina é alto, a pessoa costuma apresentar icterícia (pele e olhos amarelados), sendo uma manifestação visível da deposição dessa substância nos tecidos.

5. Tempo de protrombina

A determinação do tempo de protrombina (TP, também chamado tempo e atividade da protrombina ou TAP) avalia a capacidade que o sangue apresenta para coagular em certas condições.

Quando há insuficiência hepática, a menor produção de fatores de coagulação — principalmente o Fator VII, mas também outros como o fator II ou Protrombina e o fator X, além do Fator IX) — leva a uma coagulação mais demorada quando testada no laboratório, o que se identifica pela chamada atividade protrombínica baixa.

Resultados alterados

Em geral, quando a atividade protrombínica é baixa (inferior a 60%), suspeita-se de que o fígado possa não estar em pleno funcionamento, mas não se deve pôr exclusivamente a culpa nesse órgão: afinal, outras causas de alteração nesse exame são frequentes. Eis algumas:

  • alteração da flora bacteriana intestinal, levando à redução da vitamina K;
  • deficiência de vitamina K por alimentação pobre em vegetais;
  • medicamentos anticoagulantes e antibióticos antagonistas da vitamina K;
  • deficiência hereditária de algum fator da coagulação cuja redução altere o TAP.

6. Eletroforese de proteínas

eletroforese das proteínas do soro é um recurso laboratorial que separa grupos de proteínas, sendo útil para avaliar disfunção hepática (em que ocorre tipicamente redução da albumina com aumento da fração gama-globulina).

Mas a utilidade não se prende apenas à disfunção do fígado: diversas condições se manifestam na eletroforese de proteínas, como algumas doenças reumáticas, deficiências nutricionais, especialmente o mieloma múltiplo (tipo de câncer da medula óssea), sendo ele frequentemente detectado nesse exame antes mesmo que cause sintomas.

Resultado do exame

O resultado desse exame precisa ser interpretado pelo médico, e os valores numéricos das proteínas necessitam ser analisados com o gráfico demonstrativo da separação.

7. Alfa-fetoproteína

A alfa-fetoproteína (AFP) é uma glicoproteína sintetizada pelo fígado e é a principal proteína do soro fetal, uma vez que ela é produzida durante o desenvolvimento do embrião e feto.

Ela comumente se eleva no exame de sangue de gestantes, pois parte do conteúdo do sangue fetal passa ao sangue materno, atingindo a circulação da gestante. Sua taxa máxima é atingida na gestante por volta da 32ª semana de gravidez. E, depois se reduz gradativamente no sangue materno e do soro do bebê com o passar do tempo.

As verificações da AFP têm, no geral, duas aplicações clínicas principais:

  1. monitoramento do desenvolvimento do embrião pela taxa dela presente no sangue materno e;
  2. em crianças e adultos como marcadores tumorais em alguns tipos de tumores.

Resultado do exame

O reaparecimento de níveis elevados de AFP é observado em cânceres do fígado e testículo. Ademais, nos casos de cirrose ou hepatite crônica, a alfa-fetoproteína também pode estar elevada.

Outros testes igualmente importantes

Além dos exames de sangue mencionados, há também os testes para hepatites virais, que utilizam marcadores para identificação dos tipos. Eles são fundamentais para a pesquisa dos diferentes vírus relacionados a essa condição, permitindo identificá-la e ajudando a estabelecer um tratamento adequado.

Também podem ser solicitados outros exames para controle hepático que não se limitam à avaliação sanguínea, podendo ser por meio de imagens ou avaliação de tecidos. Os principais a serem mencionados são:

  • Exames de imagem

Os exames de imagem do fígado mais utilizados são: ultrassonografia, tomografia computadorizada, elastografia e a ressonância magnética. Eles, por meio de imagens geradas em um computador, demonstram como está a estrutura do fígado, além de permitir avaliar a passagem do sangue através do órgão.

Na maioria das vezes o médico solicita este tipo de avaliação quando os exames de sangue apresentam alterações ou o fígado está muito inchado. Também pode ser indicado quando há suspeita de cistos ou tumores, ou após um acidente esportivo ou automobilístico em há indícios de lesão do órgão.

A esteatose hepática (gordura no fígado) é frequentemente detectada por ultrassonografia abdominal, feita como rotina ou para investigar doenças suspeitadas. Ela cursa geralmente sem sintomas, mas quando encontrada deve ser avaliada por um médico, pois pode ser necessário o estabelecimento de alguma conduta para evitar agravamento.

  • Biópsia

É um exame no qual se retira um pequeno pedaço do fígado para que seja analisado no microscópio pelo médico patologista. Geralmente ela é realizada no hospital, pois a retirada da amostra é feita com uma agulha apropriada, à similaridade de uma pequena cirurgia e, apesar de raro, é possível haver sangramento.

Ela permite diagnosticar ou avaliar doenças que estejam prejudicando ou causando danos hepáticos, como cirrose, hepatites, doenças sistêmicas que afetam o fígado, câncer, entre outras.

Após a realização dos exames para avaliação do fígado, por presença de sintomas ou não, e é constatada alguma alteração, é imprescindível a procura e o acompanhamento médico. São os especialistas os profissionais que têm conhecimento aprofundado para medicar, acompanhar e tratar as enfermidades hepáticas.

Como vimos, há vários exames de sangue e de imagem relacionados ao fígado que devem ser realizados periodicamente. Para maior segurança nos resultados, exames de sangue (além de urina e fezes) devem ser realizados em um laboratório de análises clínicas de confiança, como o PAT Análises Clínicas, que atende a rigorosos sistemas de controle de qualidade, objetivando diagnósticos precisos. Exanes de imagem são realizados em serviços dotados de tecnologia e profissionais especializados; biópsias devem ser processadas em laboratórios de Anatomia Patológica.

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