Exames de sangue para tireoide: conheça os principais

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A tireoide é um órgão que faz parte do sistema endócrino, um conjunto de glândulas que regulam o funcionamento do organismo. Por ser uma glândula, ela produz hormônios essenciais para diversas funções orgânicas. Se há algo de errado com essa produção, podemos lançar mão dos exames de sangue para o diagnóstico das falhas e para que o médico institua o tratamento adequado.

Mas, afinal, o que poderia dar errado? Bem: o excesso ou a deficiência dos hormônios tireoideanos resulta em manifestações clínicas – sinais e sintomas – consequentes à falha no funcionamento da glândula. No primeiro caso, estamos falando do hipertireoidismo e no segundo do hipotireoidismo.

Ressaltando o que foi dito acima, tão importantes para o diagnóstico, os exames também têm papel essencial no acompanhamento dos pacientes. Eles guiam, por exemplo, o ajuste de dose no tratamento para que a pessoa tenha uma vida normal. Continue a leitura!

Entenda o que é a tireoide

Quando uma pessoa diz “eu tenho tireoide”, com o intuito de se referir a alguma das doenças acima, ela está cometendo um equívoco. Na verdade, “ter tireoide” significa, simplesmente, que ela tem a glândula com a qual nasceu. Na verdade, a pessoa quer dizer “eu tenho um distúrbio na tireoide”.

A localização habitual da tireoide é no pescoço, à frente, abaixo da saliência conhecida como Pomo de Adão. Os dois hormônios que ela produz são a triiodotironina (T3) e a tiroxina (T4, também chamado tetraiodotironina). Eles são muito importantes para o funcionamento do organismo, uma vez que controlam o metabolismo e várias funções.

Já a tireoide, por sua vez, é controlada pela hipófise, outra glândula, situada na base do cérebro. Tal órgão também faz parte do sistema endócrino e, no geral, induz à produção de hormônios tireoidianos caso estejam em baixa no organismo. Ou seja: uma glândula controla a outra.

Outro detalhe importante é entender que uma pessoa pode viver sem tireoide, como ocorre quando ela é removida por cirurgia, em caso de alguma doença que torne necessária essa intervenção. Porém, para isso é necessário o acompanhamento médico, a fim de repor os hormônios que não estão sendo produzidos.

É também isso o que se faz no tratamento para hipotireoidismo: reposição dos hormônicos não produzidos em quantidade esperada. Já nos casos de hipertireoidismo, na qual a produção está exacerbada, também há medicamentos para suprimir o funcionamento excessivo da glândula.

Voltando à função da tireoide: uma vez liberados os hormônios, eles ganham a corrente sanguínea e atuam nos órgãos-alvo. E são os mais variados! Interferem desde a frequência cardíaca até a maneira como ocorre a digestão ou mesmo no estado de alerta da pessoa.

Saiba quais os exames de sangue para avaliar a tireoide

Agora, vamos ao que interessa! A função tireoidiana é verificada principalmente por meio de dois hormônios: TSH e T4 (o primeiro é produzido pela hipófise, e o segundo pela própria tireoide). Confira abaixo!

TSH

Lembra quando dissemos que a hipófise é a glândula responsável pelo controle da tireoide? Pois bem, há outro órgão para regular a hipófise: o hipotálamo. Ele libera o que chamamos de TRH (Thirotropin Releasing Hormone, Hormônio Liberador do TSH) e é justamente esse hormônio que induz a produção de TSH. Essa ação lembra as peças de um dominó, cada uma atuando sobre outra em sequência: o hipotálamo produz o TRH que atua sobre a hipófise, esta produz o TSH que atua sobre a tireoide, que por sua vez produz T3 e T4 para atuarem em outros órgãos.

Quando a hipófise detecta que os níveis de hormônios tireoidianos estão baixos, ela libera TSH para estimular a glândula. Porém, se há algum problema com a tireoide em si, mesmo com a liberação de TSH ela não vai funcionar adequadamente.

Nesses casos, os exames são reveladores: altos índices de TSH, baixos níveis de T4 e, consequentemente, um possível diagnóstico de hipotireoidismo. Por isso o médico indica avaliar não apenas o TSH, mas o T4.

T4 livre

É agora que entra em cena o T4, mais precisamente o T4 livre. A importância de dosar a fração livre é que, no geral, esse hormônio percorre o sangue associado a uma proteína. Porém, caso haja uma falha na proteína, pode falsear o resultado. O T4 livre é, portanto, mais eficaz para ajudar o médico na interpretação.

Em outras palavras, precisamos de uma análise precisa sobre a tireoide em si, associado com a avaliação da hipófise. No hipertireoidismo, por exemplo, o T4 vai se manter elevado e a grande dúvida que fica é: será que está sendo muito estimulada pela hipófise ou será que a glândula tireoide está hiperfuncionante?

É claro que, na interpretação dos resultados desses exames, é fundamental que o médico considere primordialmente a clínica, ou seja, o conjunto de sinais e de sintomas que a pessoa exibe. Lentidão ou aceleração dos movimentos, pele seca ou úmida, atenuação ou aceleração do ritmo cardíaco, diarreia ou constipação, e outras manifestações mais, inclusive o aspecto do rosto, que diz muito ao médico experimentado.

Veja quais problemas eles podem detectar

Claro, não poderíamos deixar de provocar algumas reflexões enquanto conversávamos sobre os exames. Porém, o que deve ficar bem claro é: não adianta nada dosar apenas os hormônios tireoidianos, é preciso avaliar a hipófise!

Aqui, vale a pena abrir um parênteses: afinal, dosar ou não dosar o T3? Na verdade, é uma prática muito pouco comum, uma vez que o hormônio que circula em maior quantidade é o T4.

Voltando à interpretação dos resultados, sempre que houver alteração, devemos pensar de maneira conjunta. É essa dupla análise – TSH e T4 livre – que vai ajudar a identificar a origem do problema. E tem mais! Se a hipófise se mostra alterada, devemos lembrar do hipotálamo.

Portanto, para sumarizar as possibilidades, vamos entender cada doença. O hipotireoidismo apresenta níveis baixos de T4. Se o TSH estiver normal, o problema está na tireoide. Senão, é preciso avaliar a hipófise.

Por outro lado, no hipertireoidismo os hormônios tireoidianos se mostram elevados.

Essas análises simples também ajudam a entender como anda o tratamento. Por isso, é muito importante fazer acompanhamento médico. As doses dos medicamentos são bem sensíveis e qualquer errinho de cálculo pode desbalancear novamente essa relação: portanto, não tente ajustar os remédios, pois o médico é quem deve fazer isso, inclusive considerando a avaliação clínica e não apenas os resultados dos exames.

Mais: descubra qual a importância do ultrassom

De fato, os exames de sangue para tireoide representam o pacote básico para avaliar a função da glândula tireoide. Porém, há outro exame fundamental para completar a abordagem: a ultrassonografia da tireoide!

Isso porque a presença de nódulos pode interferir na produção hormonal, além de levantar um sinal de alerta para maiores cuidados. Mas tenha calma! A presença de nódulos não é algo incomum e, caso existam, não quer dizer que vem tragédia por aí.

Na verdade, a pesquisa de nódulos que o médico faz pela palpação e que, se ele achar indicado, se segue da ultrassonografia, atua mais como uma avaliação complementar, que ajuda a detectar possíveis causas dos problemas hormonais. Complementando, contribui para guiar uma avaliação mais completa: diante de nódulos suspeitos, conforme o resultado da ultrassonografia, pode-se considerar uma biópsia.

Mas tudo faz parte de um cuidado a mais! O básico mesmo, que representa o pontapé inicial para acompanhamento da tireoide após a avaliação clínica pelo médico, são os exames de sangue. Por isso, é tão importante que essa função seja avaliada de tempos em tempos.

Por fim, chegamos à conclusão de que os exames de sangue para avaliar a tireoide são muito reveladores, apesar de parecerem bem simples. Quando a avaliação é feita em conjunto com a consulta médica, os valores obtidos guiam o raciocínio para indicar detalhadamente qual é o problema e onde ele se origina. Pensando nisso, não deixe sua saúde de lado.

Agora, nos diga: qual foi a última vez que você avaliou a função tireoidiana? Entre em contato conosco e vamos resolver isso!

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