Você sabe quais são os exames que detectam a diabetes? Veja aqui!

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Segundo a Federação Internacional de Diabetes, em 2015 cerca de 8,8% das pessoas apresentavam a condição. Mais recentemente, a Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes afirmou que no Brasil há mais de 16,5 milhões de pessoas com a doença, e metade desconhece o diagnóstico. Diante de uma prevalência alta e cada vez mais crescente, o questionamento que fica para muitos é: como detectar a diabetes?

De fato, existem evidências bem características da doença, cuja manifestação já causa a suspeita, e então os exames são solicitados apenas para confirmação. Porém, o início silencioso da doença muitas vezes surpreende a pessoa, quando indícios surgem apenas por alterações em exames laboratoriais. A atração de formigas pela urina é um fator de suspeita (e muitos diabéticos são identificados por causa do simples exame de urina, no qual se pesquisa rotineiramente a presença de glicose). Até mesmo o aumento da eliminação de urina pode levar à suspeita de diabetes, mas há métodos científicos adequados para pesquisar esse distúrbio nos indivíduos em geral, qualquer que seja a idade (a pesquisa pela gota de sangue retirada do dedo, como se vê na figura, é útil como triagem, mas não para confirmar diagnóstico).

Quais testes são solicitados diante da suspeita? Quais podem concluir o diagnóstico e quais são utilizados para acompanhamento? Continue a leitura e descubra!

Entenda o que é diabetes

A diabetes mellitus retrata um conjunto de condições em que a glicose ingerida não se converte satisfatoriamente em energia. A insulina é o hormônio responsável por mediar a conversão, permitindo com que a glicose entre nas células e nelas obtenha, de fato, valor energético.

Existem dois tipos principais de diabetes mellitus: tipo 1 e tipo 2 (os outros, como a forma gestacional, não serão abordados aqui neste momento). No primeiro, que faz parte do grupo de doenças auto-imunes, as células do pâncreas perdem a capacidade de produção de insulina. Já no segundo, a produção é baixa e ineficiente, com pouca resposta do organismo a esse hormônio.

Saiba quais exames detectam a diabetes

Agora que você sabe o que é diabetes, vamos comentar sobre alguns exames utilizados para diagnóstico e acompanhamento do quadro. Confira!

Glicose (glicemia em jejum)

A medida do nível de glicose (açúcar) no sangue é chamada de glicemia. Nos diabéticos o nível permanece elevado, por insuficiência de entrada nas células. Portanto, é solicitado o exame de glicemia geralmente com um tempo de jejum de oito horas, a fim de determinar o nível sanguíneo desse açúcar após um período sem aporte calórico algum (o jejum).

Espera-se valores inferiores a 100 mg/dL. Porém, o diagnóstico de diabetes é definido apenas se o valor obtido for superior a 126 mg/dL. Vale ressaltar que, quando a glicose sanguínea se revela entre 100 e 125 mg/dL o quadro é chamado de pré-diabetes.

Teste oral de tolerância à glicose (TOTG)

O TOTG é outro exame que pode indicar diabetes. Neste caso, é feita a coleta de uma amostra de sangue em jejum, apenas para determinação chamada “basal” (ou seja, antes do estímulo a ser feito). Em seguida se ingere uma certa quantidade de glicose dissolvida em água pura ou com sabor.

Duas horas após a ingestão (ou uma hora, ou períodos diferentes conforme estabelecido pelo médico) é coletada outra amostra para dosagem da glicemia após sobrecarga. Conforme o resultado obtido, é evidenciado o estado de diabetes, podendo o médico, conforme seus critérios, decidir por outros exames para melhor caracterização.

A coleta de sangue para a glicemia também em outros momentos após a ingestão da glicose (curva glicêmica) está em desuso, sendo uma prova restrita apenas a algumas situações especiais. Ela foi muito realizada no passado, sendo superada na rotina de diagnóstico de diabetes pelos demais recursos já definidos.

Hemoglobina glicada

Ao contrário dos exames mencionados, a hemoglobina glicada é uma medida indireta e retrata o valor glicêmico abrangendo um período de várias semanas anteriores à coleta. Considerando que outros fatores além da diabetes podem influenciar no valor obtido, há que se considerar tais interferentes, dos quais os mais típicos são os processos hemolíticos (que podem ser causados por remédios ou por autoimunidade, e por algumas intervenções cardiovasculares) ou por variações genéticas da hemoglobina, a proteína vermelha que dá a cor ao sangue.

A hemoglobina glicada é um exame rotineiramente utilizado para acompanhamento, mas também permite o diagnóstico se o valor for superior à 6,5%, com a facilidade de não ser preciso o jejum para a coleta do sangue, dentre outras vantagens conforme o posicionamento de entidades científicas sobre esse recurso laboratorial. Quando a hemoglobina glicada se mostra entre 5,7% e 6,4% o quadro é caracterizado como pré-diabetes, situação de risco aumentado para o desenvolvimento de diabetes.

Conheça um pouco sobre o tratamento

Uma vez diagnosticada a diabetes, é preciso definir primeiro se é do tipo 1 ou do tipo 2 para planejamento da conduta. No tipo 1, como a insulina não é produzida suficientemente, o tratamento se baseia na aplicação desse hormônio em doses estabelecidas pelo médico, e no controle dietético.

Caso seja do tipo 2, há importante relação com hábitos de vida, principalmente alimentação e atividades físicas. Então, tais hábitos devem ser abordados e, se necessário, haverá intervenção medicamentosa, com várias opções disponíveis na atualidade.

Concluímos, então, que existem exames que detectam diabetes e testes cuja importância maior está no acompanhamento. Ressaltamos que a glicemia capilar – um teste simples que pode ser feito em casa – não é suficiente para estabelecer diagnóstico, nem mesmo na presença de sintomas: neste caso não deixe de procurar um médico em caso de suspeitas. Se for estabelecido o diagnóstico de diabetes, não deixe de fazer o acompanhamento médico, seguindo as diretrizes que vier a receber.

Agora, que tal conhecer um pouco mais sobre outros exames realizados em um laboratório de análises clínicas?

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