Jejum para exames: esclarecemos as principais dúvidas aqui!

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Aprendemos, desde pequenos, que os exames solicitados pelos médicos requerem alguns cuidados para serem eficazes. O jejum para exames é um exemplo corriqueiro: muitas pessoas acreditam que todo exame requer evitar o café da manhã e ir bem cedo ao laboratório. No entanto, nos tempos atuais esse requisito vem se tornando cada vez mais flexível.

A verdade é que cada exame tem restrições específicas, incluindo o jejum; por isso alguns podem ser realizados sem esse preparo, enquanto outros podem ser falseados pela alimentação. A seguir responderemos às principais perguntas sobre a necessidade do jejum para exames. Continue lendo para saber mais!

Qual a utilidade do jejum para exames?

Quando o médico solicita um exame, ele faz um comparativo entre seu paciente e o restante da população. Por isso, para a maioria dos exames há valores de referência — uma faixa na qual a maioria das pessoas saudáveis se encontra. Valores alterados podem ser superiores ou inferiores a essa faixa, que em geral corresponde à “normalidade”, ainda que com algumas exceções.

A alimentação é uma tarefa complexa, que causa uma grande alteração em nosso corpo — várias substâncias são absorvidas pelo intestino, hormônios são lançados no sangue, e nosso sangue circula com algumas particularidades no que se refere ao sistema digestivo. Por esse motivo a dinâmica pode interferir nos parâmetros medidos pelo laboratório e alterar os resultados de alguns exames.

Como o resultado do exame é interpretado pela comparação com tabelas de dados referentes ao conhecimento médico, é necessária uma padronização dos valores considerados normais. Em alguns casos a coleta do sangue para exame após refeições pode ser ruim, pois as pessoas ingerem quantidades variáveis de diferentes alimentos. No jejum, no entanto, o corpo humano tem um funcionamento relativamente regular. Por isso, ele é um bom preparativo para vários exames. Mas há outros cuja interpretação dos resultados pode até mesmo ser prejudicada pelo jejum, motivo pelo qual a pessoa é orientada a alimentar-se antes: é o caso da glicose pós-prandial (determinação do nível de açúcar no sangue duas horas após a refeição). Esse exame é útil para controle do diabetes mellitus.

Quais exames necessitam do jejum?

Os exames mais afetados pela alimentação são os que se relacionam ao aporte calórico, especialmente a determinação do nível de glicose (açúcar) no sangue, e também a quantificação do hormônio a ela relacionado, insulina. A alimentação sempre interfere nesses exames.

Contudo, desde 2016 o jejum não mais é necessário para o perfil lipídico, que mede as gorduras no sangue. Nele se encaixam, por exemplo, as dosagens de colesterol e triglicérides. Como esses exames são muito frequentes na prática clínica, essa mudança trouxe grandes implicações para a medicina laboratorial no Brasil. Apenas em situações raras o perfil lipídico deve ser feito com a amostra de sangue coletada após jejum de 12 horas (mas o médico dirá quando for o caso de fazer esse preparo).

Outros exames que necessitam do jejum são mais raramente realizados, e essa informação é prestada quando algum deles for solicitado.

De quanto tempo deve ser o jejum?

O tempo destinado ao jejum é padronizado para cada exame. Vale a pena contatar seu laboratório antes da coleta para confirmá-los, visto que eles podem mudar conforme os processos utilizados; no entanto, geralmente, é recomendado que o jejum não dure mais de 14 horas. Confira, a seguir, a lista do tempo mínimo de jejum de alguns exames.

8 horas:

  • glicose
  • insulina em jejum

4 horas:

  • homocisteína

Posso tomar meus medicamentos antes do exame?

Em geral medicamentos de uso crônico não precisam — e nem devem — ser descontinuados antes do exame. O ideal é questionar o médico sobre o seu caso particular, e se preparar com antecedência.

Mas por vezes o exame é a verificação do nível sanguíneo do medicamento que a pessoa está usando. Isso acontece com alguns antidepressivos e outros remédios que atuam sobre o sistema nervoso central, além de certos antibióticos e medicamentos antineoplásicos. Nesse caso o médico informa quanto tempo deve transcorrer entre o uso do remédio e a coleta do sangue, para que ele possa interpretar o resultado.

Também devo parar de beber água?

Consideramos que o único alimento que não quebra o jejum é a água. Tomá-la em doses moderadas, como para ingerir seu medicamento, não causa alterações no exame. No entanto, grandes quantidades do líquido também alteram alguns resultados, principalmente os do exame de urina.

Um mito é o de que bebidas sem açúcar também não interferem no exame. Isso é um erro.

Cafés e chás também devem ser evitados, mesmo quando ingeridos sem açúcar, e contam como uma quebra no jejum. Caso seu exame tenha o jejum como requisito, limite sua ingesta à água — com moderação, claro.

Quais outros hábitos devem ser evitados?

Assim como a alimentação, outras práticas de nosso cotidiano podem falsear os resultados dos exames. Por isso, é necessário tê-las em mente para evitar erros. Nesse contexto, um dos hábitos mais conhecidos é a prática de atividades físicas. Isso porque o exercício provoca uma alteração metabólica no organismo, aumentando os níveis de ácido lático e o consumo de glicose. Além disso, a dosagem de uma enzima chamada creatinofosfoquinase (CPK) também pode ficar alterada. E o sangue se torna mais concentrado, devido à perda de água pelo suor, levando à falsa elevação de vários constituintes.

Outro hábito diz respeito ao uso de drogas lícitas. Tanto o álcool quanto a nicotina alteram alguns exames, como o de glicose, e devem ser evitados no dia anterior. No caso específico do álcool, o recomendado é que seu uso seja cessado 72 horas antes do exame.

A menstruação interfere nos exames?

Uma dúvida frequente no público feminino diz respeito às alterações do ciclo menstrual. De fato, grande parte da fisiologia e do metabolismo variam conforme a data do ciclo, incluindo o próprio período menstrual. Por isso, alguns exames — especialmente os hormonais — podem requerer um período específico do ciclo para serem coletados.

No entanto, esse requerimento é pouco comum. Caso o exame precise ser feito em uma data específica, seu médico a informará e programará a coleta com antecedência. Para a maioria dos exames, a menstruação não afeta o resultado.

Uma ressalva é feita com o hemograma, em que é medido o nível de hemoglobina: como há elevação da progesterona precedendo a menstruação, esse parâmetro pode ser afetado durante a semana pré-menstrual, resultando em suspeita de anemia (falsa anemia, por diluição do sangue associada ao hormônio). Informar seu médico quanto às datas do ciclo é fundamental.

Por muito tempo o jejum para exames foi considerado imprescindível. Atualmente, ele é necessário para apenas alguns, especialmente aqueles que se alteram com a alimentação. Então, ter atenção a esses detalhes melhora a eficiência do exame e evita que novas coletas sejam necessárias.

Agora que você conhece os efeitos do jejum no resultado dos exames, que tal se aprofundar ainda mais sobre eles? Leia como é feita a interpretação do resultado do exame de sangue!

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