Junho vermelho: entenda a verdadeira importância da doação de sangue

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Em 2015, após o movimento Eu Dou Sangue, o Ministério da Saúde estabeleceu o Junho Vermelho, mês de incentivo e conscientização sobre a importância da doação de sangue. Este marco foi criado em função de, neste mês, haver o Dia Mundial do Doador de Sangue (14 de junho, alusiva à data do nascimento do descobridor do sistema ABO de grupos sanguíneos).

Pensando nisso, trouxemos um texto sobre a importância deste programa e da doação de sangue para a população. Leia a seguir.

Qual a importância do Junho Vermelho?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 a 2% da população total de um país deve doar sangue, para os bancos de sangue serem abastecidos satisfatoriamente.

No Brasil, no censo de 2021, realizado pelo Ministério da Saúde em conjunto com os hemocentros, cerca de 1,8% dos brasileiros doam sangue, um valor baixo comparado à necessidade de estoques de segurança para a demanda do país.

Então, o Junho Vermelho surge como uma campanha de incentivo à população para comparecer à doação. Além de ser um movimento de conscientização, dado que doar sangue é compartilhar vida, a quantidade que é doada não vai fazer falta a você, ele auxilia a dar segurança aos hospitais nas necessidades que a todo momento surgem. A quantidade doada nunca é maior que 10% do sangue do doador (e 10% está presente na vida de todo brasileiro: é a gorjeta do garçon, a comissão do vendedor, a tradição do dízimo – palavra que significa um décimo –, e tantas coisas mais).

Por que os estoque de sangue estão baixos?

Um fator de queda no número de doadores foi a pandemia de Covid-19. Com as restrições para proteção da saúde, inclusive a divulgação do “fique em casa”, a coleta de sangue doado se tornou comprometida, reduzindo em cerca de 20% o número total de doadores no país.

Além disso, nos meses das férias escolares, menos doadores tendem a comparecer aos bancos de sanogue, dado que se aproveita a ocasião para viajar.

Outrossim, no período de queda das temperaturas aumenta a ocorrência as doenças do trato respiratório; então as pessoas evitam sair, a fim de prevenir as infecções. Dessa forma, elas se esquivam de locais que remetam a bancos de sangue e outros serviços de saúde, por associá-los ao adoecimento.

Por fim, mesmo sabendo da importância de doar sangue, muitas pessoas deixam de doar pelo medo de agulha ou por desconhecerem a forma como é feita a doação.

Como é realizada a doação de sangue?

É preciso explicar, primeiramente, que o procedimento é seguro e realizado com materiais descartáveis. Além de tudo, o doador é assistido por uma equipe treinada para isso, recebendo todas as informações e auxílio necessários. Antes da doação propriamente dita, a pessoa passa por uma avaliação da saúdel, que inclui medida de pressão arterial, pesquisa de anemia, e interrogatório para avaliar risco de hepatite e outras doenças potencialmente transmissíveis pelo sangue.

A coleta de sangue é um procedimento simples e indolor. Ademais, não é exigido jejum, devendo-se somente evitar a ingestão de alimentos muitos gordurosos até três horas antes da coleta.

A diferença da retirada de sangue para exames e a retirada como doação é a quantidade de sangue coletado, cerca de 400ml ou pouco mais, e o tempo de coleta – cerca de 8 minutos –, além de haver algumas restrições e condições, como peso mínimo de 50kg e ter entre 16 e 69 anos.

Como a doação de sangue salva inúmeras vidas?

Em geral, uma doação de sangue é capaz de salvar várias vidas. Há pacientes que precisam receber sangue de vários doadores, mas por vezes o sangue de uma única doação é fracionado para transfusão em várias crianças.

Após a doação, o sangue é fracionado em componentes, cada um deles com utilidade específica. Por exemplo, o plasma, parte mais clara do sangue, pode ser usado em casos de distúrbios na coagulação – sangramento excessivo –, de overdose de medicamentos anticoagulantes, e outras indicações. A parte vermelha, contendo as hemácias, é utilizada em casos de anemia, inclusive por sangramento excessivo (essas células contêm a hemoglobina, que faz o transporte do oxigênio pelo organismo). As plaquetas são muito utilizadas para evitar sangramentos, especialmente em pacientes que se encontram em quimioterapia para tratamento de leucemias e outros cânceres.

Qual a importância de divulgar campanhas como o Junho Vermelho?

Somente com a conscientização e discernimento da população acerca da importância da doação é que os bancos de sangue serão abastecidos para suprimir as necessidades do país.

Além do mais, há diferentes tipos sanguíneos, tornando imperiosa uma boa seleção a fim de que cada paciente receba o tipo mais adequado segundo a compatibilidade (quando alguém recebe sangue de tipo diferente, há risco de graves reações, inclusive pondo a vida em risco). Então, quanto mais doadores, maior a variedade de sangue e possibilidades de atender às demandas.

O Junho Vermelho é uma campanha que visa incentivar a doação de sangue, um procedimento simples e seguro que faz muita falta ao país. Doe sangue. Doe vida. O sangue pode ser comparado a um paraquedas: se ele não estiver disponível no momento certo, a pessoa pode não precisar dele uma segunda vez.

Mas se você não puder doar sangue, pode também ajudar: propague essa ideia entre seus amigos. Afinal, amigo é também prá essas coisas! Importante: homens podem doar sangue cada 60 dias (no máximo 4 doações em um ano), e mulheres cada 90 dias (máximo de 3 doações em um ano).

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