Testes sorológicos para hepatites: qual a importância de identificá-las precocemente?

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Você já ouviu falar sobre hepatite? Esta condição nada mais é do que a inflamação do fígado. Ela é causada, principalmente, por vírus, sendo os tipos A, B e C os mais comuns (há também hepatites não virais, como as causadas por ervas, e as hepatites auto-imunes). Já o diagnóstico requer alguns exames, como se verá a seguir.

Por meio de exames, é possível pesquisar os vírus e seus anticorpos correspondentes, identificar a infecção e, ainda, estabelecer o tratamento adequado, quando for necessário. O ponto-chave é justamente o diagnóstico, pois só a partir dele é possível elaborar um plano terapêutico.

Vale ressaltar que existem casos agudos e crônicos, cada um mais associado a um subtipo de vírus. Por isso, os testes são essenciais não só para o diagnóstico em si, mas, principalmente, para guiar a abordagem. Continue a leitura!

Saiba quais são os tipos de hepatite

O termo hepatite é um conceito genérico para indicar uma inflamação do fígado. A título de curiosidade, existem várias possíveis causas para isso, porém, vamos focar na infecção pelos três principais tipos de vírus associados.

Hepatite A

Este tipo de hepatite é comum em regiões cujo saneamento básico é precário ou inexistente, já que a transmissão ocorre, sobretudo, por alimentos contaminados, e até mesmo pela água das praias em que há contaminação por esgotos.

A grande característica da hepatite A é que ela não cronifica, ou seja, faz um quadro agudo e logo a doença regride. Além disso, uma vez que a pessoa adquire a doença, o organismo desenvolve imunidade pelo resto da vida.

Assim, caso alguém se infecte uma vez por esse tipo de vírus, não contrairá a infecção novamente. Já as manifestações da doença são variáveis. Os quadros podem ser desde assintomáticos até sintomas vagos, como os de uma virose simples. É comum a icterícia, ou seja, cor amarelada muito evidente nos olhos (mas também em outras áreas) por causa da elevação da bilirrubina, que pode ser medida no sangue.

Hepatite B

Em contrapartida à hepatite A, a infecção pelo tipo B pode cronificar. Neste caso, ela permanece por mais de seis meses e requer um acompanhamento bem de perto. Isso porque as manifestações da doença podem surgir mesmo depois de décadas.

Assim como na hepatite A, os sintomas são bem inespecíficos, como náuseas, vômitos, febre e mal-estar. Frequentemente há icterícia. Outro ponto relevante é que a transmissão pode ocorrer mesmo que o indivíduo esteja assintomático.

Mais adiante, você vai entender como é feito o diagnóstico e acompanhamento da doença. Mas, desde já, é importante reforçar que há vacinação eficaz, composta de três doses, a fim de prevenir contra o vírus B.

Hepatite C

Por fim, vamos falar sobre o tipo que mais tende a cronificar: a hepatite C. Devido a essa característica, existe um risco muito grande de que a doença, evoluindo geralmente de forma assintomática, torne raro o diagnóstico da fase aguda. Sendo a doença descoberta na fase da cronificação, sem tratamento, ela pode evoluir com o acometimento progressivo do fígado até chegar à cirrose, podendo evoluir para o câncer (hepatocarcinoma).

Se ela evolui de maneira sorrateira, dificilmente o indivíduo vai apresentar algum sintoma. Assim, vemos que a testagem para hepatite C é um dos pontos-chave para o diagnóstico e tratamento da doença.

Embora não exista vacina para esse tipo de hepatite, algumas medidas simples podem prevenir a infecção. As mais importantes são: não compartilhar objetos que entrem em contato com sangue, e evitar a promiscuidade sexual.

Veja como ocorre a transmissão

Como vimos, existem três principais tipos de hepatites causadas por vírus. A transmissão da hepatite A ocorre por água e alimentos contaminados. Já as hepatites B e C são transmitidas, caracteristicamente, por via parenteral.

Nesse caso, a transmissão ocorre por agulhas contaminadas e acidentes com materiais perfurocortantes. Até o ano de 1993, as transfusões sanguíneas eram um risco para a hepatite C, que ainda não tinha esse nome porque o vírus não havia sido identificado.

Há, ainda, transmissão por relações íntimas, o que é mais comum com o vírus da hepatite B, ainda que também ocorra com o da hepatite C. Além disso, é possível que ocorra a transmissão chamada “vertical”.

Nesses casos, ela ocorre de mãe para filho, na maior parte das vezes no momento do parto. E não se esqueça: esse tipo de transmissão está associada aos vírus B e C.

Entenda a importância da identificação

Tendo em vista que muitos quadros podem ser persistentes, os danos que o vírus causa no fígado também são progressivos ao longo do tempo. Aos poucos, vai ocorrendo a fibrose do órgão, a ponto de até modificar a estrutura hepática.

O processo de fibrose é o que caracteriza a cirrose, quando já há grande comprometimento do fígado. Mas as complicações não param por aí! Há maior risco para os pacientes com hepatite crônica desenvolverem câncer no fígado.

Portanto, a testagem sorológica para hepatites pode salvar vidas. A partir do momento em que se detecta a infecção, é iniciado o tratamento e, frequentemente, evolui para cura ou remissão da doença.

Em contrapartida, mesmo que não haja cura, o simples fato de diagnosticar a infecção já permite um acompanhamento mais próximo. Assim, por meio de consultas periódicas, é possível avaliar se há ou não maior comprometimento da saúde.

Veja como é feita o teste de hepatite

Os testes vão variar de acordo com o tipo da hepatite. Independentemente do tipo de causa, as hepatites se caracterizam pela elevação de enzimas do fígado: TGO (transaminase oxalacética ou aspartato-aminotransferase) e TGP (transaminase pirúvica ou alanina-aminotransferase). Quanto aos tipos de vírus, há os seguintes testes:

Hepatite A

Como é um quadro agudo e, muitas vezes, sem sintomas, é comum que as pessoas a tenham tido em algum momento da vida e não saibam disso.

O teste utilizado para confirmação é a sorologia para pesquisar anticorpos anti-HAV, ou seja, busca detectar se há no organismo anticorpos IgG e IgM contra o vírus A, produzidos em resposta à infecção. Com os resultados, e com as informações obtidas no atendimento, o médico conclui se há ou houve hepatite, ou mesmo as o paciente é indicável para vacinação.

Hepatite B

Nesse caso, os testes são variáveis, e os mais importantes são esses:

  • HBsAg — busca identificar um elemento que compõe o vírus: uma proteína da sua superfície, que indica a presença ou ausência dele no sangue;
  • Anti-HBs — identifica anticorpos contra proteínas da superfície do vírus B, ou seja, o organismo combateu ou está combatendo a infecção (é o anticorpo protetor, também produzido em resposta à vacina);
  • Anti-HBc — anticorpos contra um componente central do vírus; há 2 tipos, IgM e IgG, que indicam infecção recente ou prévia, respectivamente.

Vale ressaltar que, após o diagnóstico, existem outros testes necessários, a fim de verificar como está a progressão da doença. Logo, buscam detectar a carga viral e se há replicação dos microrganismos.

Hepatite C

O rastreamento é feito pelo anti-HCV, ou seja, busca por anticorpos contra o vírus da hepatite C. Se presentes, é indicada a confirmação por meio de biologia molecular — um teste mais específico e que pode informar a quantidade de vírus (carga viral) existente.

Descubra como é feito o tratamento

Agora que a condição foi identificada, conheça algumas formas de tratamento!

Hepatite A

Lembra que esse tipo tende a apresentar apenas um quadro agudo? Pois bem, não há um tratamento específico para a condição. Porém, é indicado repouso até que o quadro apresente resolução.

Não se esqueça que o fígado é o órgão que realiza a metabolização do álcool. Em outras palavras, evite o consumo de bebidas alcóolicas até que os exames indiquem a normalidade das enzimas hepáticas.

Hepatite B

Já o tipo B requer uma avaliação individual, uma vez que apresenta uma fase aguda que pode cronificar. Nem sempre o quadro vai precisar do uso de medicamentos, porém apenas o médico pode determinar o tratamento. Vale lembrar, novamente, que os quadros crônicos precisam ser acompanhados cuidadosamente pelo médico.

Hepatite C

Uma das grandes evoluções médicas dos últimos anos foi o tratamento da hepatite C. Uma vez diagnosticado, o paciente tem disponível a terapia antiviral para a cura da infecção.

A duração é, em média, de seis meses. Em seguida, se fazem os exames de carga viral e avaliar a resposta ao tratamento. A testagem para hepatite associada às medidas terapêuticas são fundamentais para evitar a progressão da doença.

Em suma, a testagem para hepatites é feita por métodos simples, eficazes e essenciais para a saúde pública. Muitas pessoas podem ter o vírus — B e C, especialmente — e sequer saberem disso, de modo que os danos hepáticos vão ocorrendo progressivamente sem que haja qualquer suspeita. Então, o rastreamento da doença já direciona para o diagnóstico e tratamento, diminuindo cada vez mais o número de infecções ativas e, consequentemente, de novas transmissões.

Aliás, o Conselho Federal de Medicina recomenda que os médicos oportunizem aos clientes a testagem para os vírus das hepatites B e C, além de outras doenças, identificando a necessidade da realização dos exames e de meios de prevenir a transmissão.

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