Já ouviu falar no teste VDRL? Venha saber mais sobre ele!

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A sífilis é uma doença bacteriana sistêmica, causada pelo Treponema pallidum, uma bactéria espiralada que lembra um saca-rolha. O que muitos não sabem é que ela tem tratamento (o mais importante de tudo é diagnosticar a infecção o quanto antes para que ele possa ser implementado., e é aí que o teste VDRL entra).

A doença tem quatro fases: primária, secundária, latente e terciária. É fundamental que o diagnóstico seja feito nas fases iniciais, quando ainda não resultou nos acometimentos graves da doença.

Vale lembrar, ainda, que ela é uma infecção sexualmente transmissível, o que torna indicada a realização de testes nos demais possíveis infectados. Além disso, pode ser transmitida da gestante para o feto (também é transmissível por transfusões de sangue, mas os atuais controles tornam isso uma extrema raridade). Por isso, o pré-natal deve ser devidamente conduzido. Venha saber mais!

Entenda o que é o teste VDRL

Agora, vamos ao que interessa: o teste VDRL. Também conhecido como teste não-treponêmico (porque os reagentes laboratoriais nele utilizados não provêm da própria bactéria), ele é um importante recurso para diagnóstico e tratamento de sífilis. Seu nome é uma sigla: são as letras iniciais de Venereal Disease Research Laboratories.

Na fase primária, embora os sinais de sífilis possam estar claros, o teste apresenta uma sensibilidade de cerca de 90%. Ela se eleva a 100% na fase secundária, mantendo-se boa na latente (mas na fase terciária pode reduzir-se, fazendo com que indivíduos doentes tenham resultados negativos).

Assim como todos os testes, podem, sim, haver resultados falsamente positivos e falsamente negativos. No primeiro caso, costuma ser decorrente de reações cruzadas com outras doenças. Já no segundo caso, pode ser devido à baixa sensibilidade por ser o teste realizado fora do momento ideal. Deve-se lembrar que a reatividade, ou seja, positividade, deve-se à presença de anticorpos produzidos pelo organismo em resposta à infecção, o que não se dá de modo igual em todos os indivíduos.

Veja quando está indicado

Como visto, o teste VDRL é indicado para auxílio diagnóstico e tratamento. Portanto, pode ser solicitado diante da suspeita clínica da condição, bem como em investigações para doenças sexualmente transmissíveis.

Além disso, também é implementado no cuidado terapêutico. Isso porque o teste tem sua intensidade medida (o que se chama titulação), e pode ser útil no acompanhamento após tratada a infecção.

É importante lembrar que também está indicada a realização do teste em pessoas que tenham mantido relações íntimas com quem se mostrou “positivo” para o VDRL. Já as gestantes devem fazer em dois momentos:

  • no 1º trimestre de gravidez ou na 1ª consulta;
  • no início do 3º trimestre de gestação.

Saiba como interpretar o resultado

Os resultado do teste é bem simples: 

  • reagente (com a indicação da intensidade);
  • não-reagente.

Ainda que tecnicamente as palavras positivo e negativo não sejam recomendadas, elas são usadas na linguagem corrente como se fossem sinônimos dos termos técnicos acima, mas o principal é conjugar as informações clínicas (história da possível infecção, lesões visíveis no corpo) com o título da reação. Este último é indicado por frações como 1/2, 1/4, 1/8… e outros na progressão. Títulos 1/2 e 1/4 são baixos, e nem sempre significam sífilis, porém 1/64 e 1/128, por exemplo, são elevados, fortemente indicativos da infecção.

Um resultado de VDRL 1/2 significa que o sangue – mais propriamente o soro sanguíneo – tem anticorpos que reagem só até a diluição meio a meio (uma parte de soro e uma parte de diluente); título 1/64 significa que uma parte do soro sanguíneo misturado com 63 partes de um diluente continua a levar a uma reatividade, tal a quantidade de anticorpos produzidos pela infecção.

Nos casos “positivos”, o VDRL pode indicar sífilis recente ou prévia. Vale lembrar que algumas doenças podem provocar reação cruzada e positivar o teste, como o lúpus, a artrite reumatoide e a hanseníase.

Já nos casos negativos, pode indicar a ausência da infecção ou sífilis latente previamente tratada (ou mesmo uma sífilis terciária. Lembre-se que na fase primária a sensibilidade é baixa, o que pode resultar em um teste falso-negativo, situação mais provável quando o exame é realizado em momento precoce antes que o organismo dê o sinal sanguíneo (o teste costuma “positivar” uma a duas semanas após surgimento da ferida inicial da doença, chamada cancro duro, que não dói, não queima nem arde).

Há ainda a possibilidade de uma reação estranha: indivíduos com sífilis podem por vezes exibir negatividade no teste VDRL, quando a quantidade de anticorpos produzida é muito elevada. Isso se chama efeito prozona. Os bons laboratórios clínicos tomam cuidado com essa possibilidade de resultado falsamente negativo, realizando o exame em duplicidade: com a amostra do paciente pura e também após diluição; isso permite evitar o resultado falso negativo devido a essa interferência.

Em alguns casos pode ser indicada a realização de um teste treponêmico, como o FTA-Abs ou suas variações (testes em que os reativos laboratoriais incluem proteínas da própria bactéria causadora). Tais testes são especialmente úteis em casos de dúvidas que possam surgir com o VDRL.

É importante iniciar o tratamento assim que diagnosticada a sífilis, pois isso evita a progressão da doença para fases mais graves. O tratamento é simples e pode ser realizado com penicilina. A titulação vai permitir ao médico saber a duração do tratamento.

Vimos que o teste VDRL é um recurso muito importante para diagnóstico e tratamento da sífilis. Nunca é demais relembrar que o tratamento deve ser concluído mesmo na ausência de sintomas. Além disso, a pessoa diagnosticada também deve passar por testagem para outros infecções sexualmente transmissíveis, como HIV e hepatites. Por fim, não se esqueça que a prevenção de qualquer doença é de suma importância!

Agora, que tal conhecer quais são os exames essenciais para a saúde da mulher?

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Um comentário em “Já ouviu falar no teste VDRL? Venha saber mais sobre ele!

  1. EXCELENTE MATÉRIA POIS A INCIDÊNCIA DE SÍFILIS ESTÁ MUITO ALTA NA POPULAÇAÕ, E É UM TESTE MUITO BARATO PARA NÃO SER FEITO.
    FAÇO DE ROTINA NAS EMPRESAS.

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