Você conhece os diferentes tipos de coleta de sangue?

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Há quem sinta receio ao saber que será preciso passar por exames de sangue: afinal, ninguém gosta de sentir uma picada na pele. Mas esse pequeno incômodo é facilmente superado pelas vantagens das análises feitas na amostra de sangue. E tem mais: as modernas técnicas de coleta de sangue nada têm a ver com os métodos antigos, em que as grossas agulhas eram reutilizadas, e afiadas na pedra…

E as seringas também assustavam, principalmente as grandes, destinadas a coletar maiores volumes de sangue quando eram vários os exames a serem feitos (isso mudou, e muito).

Quando foi desenvolvida a verificação da glicose no sangue, para pesquisar ou controlar diabetes, era preciso usar 70 mL de plasma . Ou seja, era preciso coletar mais de 150 mL de sangue para se obter aquela amostra necessária à reação química (150 mL é o volume que preenche até a marca aquele copo americano, usado nos bares para servir café com leite). E se fosse preciso repetir o exame, então a mesma quantidade seria retirada novamente, o que poderia fazer falta à pessoa se ela estivesse doente.

Nos dias atuais, com uma gota da amostra pode-se determinar 10 vezes o nível da glicose. Por isso se podem fazer muitos exames com uma quantidade pequena de sangue.

Neste artigo vamos apresentar os tipos de coleta de sangue, as principais diferenças entre eles, materiais utilizados, tipos de tubos e o significado de cada cor, bem como, o passo a passo da coleta. Continue a leitura para saber mais!

Os tipos de coleta de sangue

A coleta de sangue venoso pode ser feita por meio do sistema aberto, composto por agulha e seringa. Outro sistema, chamado fechado, aplica a técnica de coleta a vácuo.

Seringa e agulha (sistema aberto)

Embora seja cada vez menos adotado, esse sistema que usa agulha e seringa ainda não foi completamente extinto, sendo utilizado em algumas situações.

Contudo, esse tipo de coleta de sangue pode causar riscos por conta do material perfurocortante no processo de transferência do sangue da seringa para um frasco (o técnico pode se ferir com a agulha, se não tomar especial cuidado). Além disso, é muito incômodo para pessoas que necessitam de múltiplas coletas; porém por vezes é preciso, mesmo, coletar o sangue utilizando seringa, ou seja, sistema aberto.

A vácuo (sistema fechado)

O sistema fechado é composto por um dispositivo que aspira o sangue da veia devido ao vácuo, diretamente conectado aos tubos de acondicionamento da amostra. Essa técnica de coleta foi criada durante a 2.ª Guerra Mundial a pedido da Cruz Vermelha Americana e passou por diversas melhorias até chegar à versão atual.

Esse tipo de procedimento ajuda o profissional da saúde a evitar o contato com o sangue coletado e proporciona mais conforto ao paciente. A coleta de sangue a vácuo é uma indicação do Clinical & Laboratory Standards Institute (CLSI), praticada em todos os países.

Vantagens

A coleta a vácuo apresenta diversas vantagens, tanto para a pessoa examinada quanto para o examinador. A seguir, veja quais são:

  • conforto — com apenas uma punção é possível colher sangue em vários tubos, para serem utilizados em inúmeros exames solicitados pelo médico, evitando a necessidade de várias coletas;
  • facilidade de manuseio — cada tubo possui um vácuo calibrado, com capacidade proporcional ao volume de sangue a ser obtido;
  • facilita a coleta — em casos de acessos difíceis às veias, como em crianças e algumas pessoas mais sensíveis, há dispositivos que facilitam o processo, como agulhas de calibres especiais e tubos de menor volume;
  • qualidade — esse procedimento é seguro, prático e garante maior qualidade do material examinado, pois as propriedades do sangue são mantidas estabilizadas devido aos conservantes que se encontram em cada tubo, proporcionando resultados exatos;
  • segurança para o profissional e paciente — por ser um sistema fechado de coleta, não há necessidade de manusear a amostra, e os próprios tubos que recebem as amostras são inseridos nos aparelhos que farão as análises.

As principais diferenças entre os tipos de coleta de sangue

A coleta com seringa e agulha é usada principalmente para obter sangue arterial, para verificar os gases sanguíneos e outros indicadores (mas também é usada em algumas situações para obter sangue das veias). Já a coleta a vácuo é mais prática para obter sangue venoso, com o uso de diferentes preservantes para a realização de múltiplos exames.

Por fim, há a coleta digital (sangue obtido no dedo, que é puncionado com uma lanceta), muito utilizada para exames mais simples, sendo a mais comum a que possibilita a medição domiciliar da glicose (açúcar) no sangue, em pessoas com diabetes, para o controle do tratamento. Testes para anticorpos, como na pesquisa de infecção por HIV, podem também ser feitos com amostras de sangue obtidas por punção digital, bem como testes de DNA (como na verificação da paternidade).

O teste do pezinho nos bebês também é feito por punção (não do dedo, mas do calcanhar, por facilidades técnicas e por ser área menos sensível).

Os materiais necessários para coleta de sangue

Para realizar a coleta de sangue venoso, são utilizados os seguintes materiais (nem todos obrigatoriamente):

  • álcool;
  • bandeja;
  • garrote (torniquete);
  • algodão ou gaze;
  • par de luvas;
  • scalp;
  • seringa;
  • tubos
  • aguhas.

Os tipos de tubos para coleta de sangue

Os tubos para coleta de sangue são marcados com diferentes cores, de acordo com o tipo de conservante presente ou não. Assim, as amostras são mantidas em condições que permitam as análises laboratoriais a serem feitas.

Dessa forma, é fundamental que o técnico conheça e respeite até mesmo a ordem dos tubos a vácuo para a análise de sangue. A ordem da cor dos tubos a ser seguida, é:

  • tampa azul — com citrato de sódio, para provas da coagulação;
  • tampa vermelha — com sílica, que ativa a coagulação para se obter soro sanguíneo de boa qualidade técnica;
  • tampa amarela — contém um ativador de coágulos e gel separador, para obter boas amostras de soro para reações químicas e imunológicas, principalmente, com o recurso para facilitar a separação do coágulo;
  • tampa lilás — com EDTA, um tipo de anticoagulante, que possibilita a realização de hemogramas, e também hemoglobina glicada (o moderno teste para pesquisa de diabetes e pré-diabetes, e seu controle);
  • tampa verde — com heparina de lítio, para certas análises bioquímicas do plasma sanguíneo;
  • tampa cinza — com fluoreto de sódio, que possibilita determinar a glicose e o lactato, impedindo que os níveis dessas substâncias se alterem com o tempo decorrido entre a coleta do sangue e a análise.

Há ainda outros tipos de tubos, como os destinados às verificações de níveis de metais, de oligoelementos, e outras análises.

O passo a passo da coleta de sangue

O profissional que irá realizar a coleta precisa fazer a higienização das mãos antes de atender o paciente e sempre utilizar as luvas. Os tubos devem estar identificados e colocados na ordem correta. Então, são realizados os seguintes passos:

  • palpação da veia (ou da artéria);
  • colocação do garrote (torniquete), para ressaltar as veias;
  • desinfecção do local da punção com álcool;
  • montagem do sistema de coleta (tubo de aspiração, ou seringa-agulha);
  • realização da punção do vaso;
  • inserção do tubo de coleta a vácuo no adaptador, se for utilizado sistema fechado, ou aspiração com a seringa, se for usado sistema aberto;
  • retirada do garrote quando o sangue começa fluir para dentro do tubo;
  • movimentos suaves de inversão dos tubos (8 a 10 vezes);
  • finalização do processo de coleta e envio das amostras para análises.

Mas há os cuidados finais: após retirada da agulha, deve-se pressionar o local da punção com algodão, até que se tenha certeza de que não há saída de sangue. Isso deve ser feito com o braço estendido: se a pessoa dobrar o cotovelo, até que o sangue para, sim, de sair, mas quando o braço for esticado o “buraquinho” pode abrir, causando hemorragia. Por isso deve-se manter o braço estendido, até ser aplicado um curativo, e também depois disso. Deve-se evitar portar objetos pesados, como sacolas, para reduzir a chance de saída tardia de sangue.

Como vimos, há diferentes tipos de coleta de sangue, fundamentais para diagnósticos, tratamento e prevenção de várias doenças, e os métodos modernos reduzem acentuadamente o incômodo. É importante consultar o médico regularmente e fazer exames de sangue em bons laboratórios, como o PAT Análises Clínicas, que oferece uma equipe com profissionais altamente qualificada e equipamentos de última geração.

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