Conheça 3 tipos de exame de urina e quais doenças podem ser aí detectadas

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Quando o assunto são os exames laboratoriais, muitas pessoas se lembram apenas daqueles que envolvem a coleta de sangue. Porém, diferentes tipos de exame de urina também são muito importantes para o cuidado com a saúde.

Você pode perceber que não existe um único teste feito com urina. Na verdade, pode-se considerar 3 tipos/grupos principais, que podem auxiliar no diagnóstico de doenças renais e até mesmo sistêmicas, ou seja, que acometem o organismo na totalidade (como a hipertensão arterial, o lúpus eritematoso e outras) . Além disso há os exames de curiosidade, como para a detecção da gravidez, de drogas de abuso, e outros que não fazem parte deste artigo.

De modo geral, são exames simples e práticos, mas que requerem um cuidado especial no momento da coleta. Qualquer falha na etapa inicial pode prejudicar os resultados. Continue a leitura e entenda melhor!

Conheça os exames de urina

A análise laboratorial pode fornecer informações valiosas sobre a saúde dos rins e do organismo de forma geral. Uma urina aparentemente normal pode esconder alterações não vistas a olho nu.

Confira os detalhes de cada exame!

1. EAS (Elementos Anormais e Sedimento)

O exame EAS de urina, também chamado em alguns lugares de urina tipo 1, é o exame de urina mais simples, prático e básico. Melhor dizendo, ele é um conjunto de vários exames agrupados. São pesquisados e verificados vários parâmetros, como:

  • densidade (gravidade específica) e pH;
  • bilirrubina e corpos cetônicos;
  • glicose e hemoglobina;
  • nitrito, proteínas e urobilinogênio;
  • microrganismos (bactérias, fungos e protozoários);
  • células epiteliais, hemácias e leucócitos;
  • cilindros e cristais;
  • muco.

A alteração em algum dos parâmetros pode sugerir disfunção ou doença. Um exemplo é o pH urinário, que habitualmente é ácido, mas que na presença de certas proliferações bacterianas pode se tornar alcalino.

2. Urina de 24 horas

Já a urina de 24 horas se caracteriza por uma forma de coleta que permite avaliar a eliminação de alguma substância no período de um dia. Só para lembrar, os rins são responsáveis pela filtração sanguínea. Por isso, existe um fino controle do que será eliminado e do que será reabsorvido.

Portanto, a intensidade da eliminação diária de alguma substância – como um hormônio, um mineral ou outro composto – é um importante indicativo na prática médica. Se os rins não estão em bom funcionamento, ou mesmo se alguma glândula não funciona a contento, a eliminação urinária pode indicar. A análise da urina 24 horas permite fazer o cálculo da taxa.

A depuração (também chamada clearance) da creatinina é uma verificação da capacidade que têm os rins de limpar o sangue. Para isso se avalia um indicador, a creatinina (produzida pelos músculos), cuja concentração é determinada no sangue e na urina de 24 horas, sendo os resultados inseridos em uma fórmula matemática (pode-se também fazer com urina coletada em menor intervalo, como 12 horas).

3. Urocultura

Por fim, a urocultura é o exame escolhido para detectar a presença de bactérias no trato urinário. Sabemos que os rins e a bexiga são ambientes estéreis, onde normalmente não há bactérias.

Portanto, a urocultura pode indicar a presença delas. Vale ressaltar que a detecção de alguma bactéria não indica, necessariamente, uma doença. Isso porque é possível que ela tenha sido apenas uma contaminante externa, ou seja, bactéria presente na pele que se mistura à urina no momento da coleta, e assim, para interpretar o resultado, o médico se utiliza das informações clínicas e também do resultado do exame EAS.

Neste exame a urina é inoculada em meio de cultura (um material gelatinoso rico em nutrientes, para que as bactérias proliferem e sejam, então, facilmente detectadas). Em 24 a 48 horas a maior parte das bactérias causadoras de infecções urinárias se desenvolvem, formando colônias visíveis a olho nu, mas há aquelas que demoram bem mais, como a que causa a tuberculose (45 a 60 dias). Com o uso de técnicas auxiliares as bactérias são identificadas, principalmente com base em seu metabolismo e morfologia, e eventualmente com amplificação do DNA. Pode-se fazer os testes de sensibilidade a medicamentos, para apoiar o médico na escolha dos remédios a serem utilizados..

Veja quais doenças podem ser detectadas 

As informações obtidas nos diferentes tipos de exame de urina são valiosas. Não é à toa que podem indicar uma série de condições. Veja algumas delas!

Diabetes mellitus

Diabetes mellitus é uma doença caracterizada por níveis de glicose constantemente elevados. Embora o grande problema esteja no pâncreas, o exame de urina pode ser útil na investigação e no acompanhamento durante a vida.

Para o diagnóstico de diabetes, e também para acompanhamento, se utiliza a medida da glicose sanguínea em jejum, e também a determinação do percentual de hemoglobina glicada (este último exame tem a vantagem de não precisar de jejum para a coleta do sangue). Mas muitas vezes o diabético não sabe que porta esta condição, sendo a doença detectada em exame rotineiro da urina.

Infecção urinária

Já vimos que a urocultura é muito útil para a abordagem da infecção urinária. Assim como em outras doenças, a associação do quadro clínico e dos exames pode melhorar a assistência prestada.

Geralmente os sinais e sintomas da doença são bem detectados em uma consulta, como dor para urinar, mais idas ao banheiro, entre outros. Na forte suspeita, o médico às vezes prescreve o tratamento mesmo antes do resultado do exame, orientando a pessoa a comparecer ao laboratório para a urocultura, e só começar a tomar o antibiótico após coletar a urina (pois se o remédio for tomado antes, ele poderá inibir o isolamento da bactéria causadora).

Síndrome nefrítica

A síndrome nefrítica ocorre geralmente após uma infecção causada por estreptococos, um tipo de bactéria. Esse quadro é muito visto em crianças que apresentam um quadro gripal e dias depois têm queixas urinárias. 

Neste caso, o organismo forma imunocomplexos para combater o agente infeccioso. Porém, os imunocomplexos vão se depositar no local de filtração dos rins , causando assim pequenas lesões.

Isso é suficiente para que as hemácias passem pelo local da filtração e sejam eliminadas. Então, a presença de sangue na urina é uma das características da síndrome. Além disso, vemos também um edema generalizado e o aumento da pressão arterial.

Saiba como é feita a coleta

Como já dito, uma coleta inadequada pode interferir no resultado dos exames. Por isso, confira alguns detalhes para que nada de errado ocorra!

Coleta da urina para o EAS

Para o exame simples de urina, a coleta também é bem prática. Idealmente, deve ser feita no próprio laboratório, para que seja mantida em condições de conservação até o momento da análise. 

A urina pode ser coletada em qualquer momento do dia, mas de preferência após duas horas sem urinar. Depois de higienizar a região genital, o primeiro jato deve ser desprezado, e só depois a urina para o exame deve ser acondicionada no frasco. 

A urina deve ser coletada diretamente no frasco adequado, fornecido pelo laboratório. Deve-se evitar o uso de recipientes já utilizados para outros fins, como frascos de alimentos ou produtos de limpeza: eles podem conter impurezas capazes de interferir no exame.

Coleta da urina 24 horas

Já para a urina 24 horas, a praticidade é um pouco menor. Inicialmente, você vai eliminar completamente a primeira urina do dia. Feito isso, marque o horário da eliminação. É aí que o exame começa!

Toda vez que você for urinar ao longo do dia, a urina deve ser adicionada no mesmo recipiente. Caso ele seja completamente preenchido, você pode utilizar outro. O importante é não deixar perder nenhum volume.

Qualquer perda de urina ao longo do dia pode invalidar o exame e ser necessário tentar novamente no dia seguinte. O exame só termina 24 horas depois do início. Ou seja, se você esvaziou a bexiga às 8h do primeiro dia, você deve coletar a última urina às 8h do dia seguinte. E o frasco com a urina deve ser mantido em local fresco ou refrigerado, conforme as instruções recebidas do laboratório.

Para alguns exames feitos em urina de 24 horas o frasco fornecido pelo laboratório contém um conservante líquido. Não se molhe com ele, pois pode causar irritação em contato com a pele. E, claro, não deixe o frasco em local que possa ser acessado por crianças.

Coleta para urocultura

Para realizar a urocultura, a praticidade voltou com tudo. O grande detalhe é que a amostra não pode ser contaminada durante a coleta. Assim, é preciso higienizar muito bem a região ao redor da uretra. Use sabão de coco, pois os sabonetes em geral contêm substâncias antibacterianas cuja mistura com a urina pode inibir o desenvolvimento das bactérias.

Já no momento de urinar, procure evitar o contato da urina com a pele, de modo que o jato seja direto para o recipiente. Não se esqueça de que o primeiro jato deve ser desprezado e que você deve fazer a coleta antes de iniciar o tratamento, caso já tenha uma receita dada pelo médico.

Como visto, os diferentes tipos de exame de urina podem contribuir de várias formas para a assistência em saúde. Por isso, é tão importante contar com um bom laboratório para realizar as análises clínicas.

O PAT Análises Clínicas é um deles, que preza pela qualidade na coleta e na análise dos resultados. Portanto, desde o momento do diagnóstico até no acompanhamento da condição, nosso laboratório será seu aliado no cuidado com a sua saúde!

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